quarta-feira, 16 de setembro de 2009
NADA COMO UM ELOGIO DO MESTRE AO BLOG.
O blog é muito divertido, informático e
(como não podia deixar de ser)
bem escrito.”
Abs, Roberto Duailibi
DPZ
SOU TÃO BEM-HUMORADO QUE DOU BOM DIA ATÉ PRA PEIXINHO EM PET SHOP.
O VÍRUS INFLUENZA PUBLICITARIUM
É um vírus muito comum, acometendo todas as pessoas que desde a infância são admiradoras desta glamourosa profissão, ou que os pais ou parentes próximos são publicitários e acabam transmitindo o vírus. É o meu caso. Filho de publicitário, que era redator, diretor de criação e depois dono de agência,
Caio Teixeira é redator, escritor e também já atuou como diretor de criação em várias agências em 30 anos de carreira, atendendo a todo tipo de job, desde anúncio de cachorro perdido até grandes campanhas, algumas adaptadas para toda a América Latina. Até hoje, continua contaminado pelo vírus publicitário, em estágio grave. http://teixeiracaio.sites.uol.com.br
A PRAGA DO INFOMERCIAL.
Sabe os infomerciais? Aqueles intervalos pagos, nas piores emissoras, nos piores horários?
ZAP neles!
Caio Teixeira é redator, escritor e também já atuou como diretor de criação em várias agências em 30 anos de carreira, atendendo a todo tipo de job, desde anúncio de cachorro perdido até grandes campanhas, algumas adaptadas para toda a América Latina. Hoje, vive com o dedo engatilhado na tecla ZAP do controle remoto da TV, pronto para fugir do primeiro infomercial que apareça pela frente. http://teixeiracaio.sites.uol.com.br
terça-feira, 21 de julho de 2009
É PRECISO AMAR AS CAMPANHAS COMO SE NÃO HOUVESSE O AMANHÃ.
Com esta menção-homenagem ao grande músico, poeta e lenda do rock'n'roll Renato Russo, eu falo todo dia para os estagiários e os que estão começando nas agências onde peregrino nestes últimos anos, que eles devem dar o máximo de si. Buscar o novo, o ousado, o criativo, sempre. Seja inspirado em Renato Russo ou Romero Brito, no silêncio ou no grito. Em Estocolmo ou Azerbaijão. Rock ou baião. E fazer cada job render peças ousadas, diferentes, obras-de-arte, sempre.
Não se acomodar nunca à visão simplista, cômoda, pragmática e reducionista de muitos que concluem amargamente:
" - Ah! O cliente quer sempre coisas simples, então, pra que perder tempo?
É só fazer o primeiro logotipo que vem à cabeça, a primeira ideiazinha que já tem aquela foto separada do Banco de Imagem. Facinho. Em 15 minutos tá pronto."
E tá mesmo. Afinal, uma execução sempre é trágica. Por isso, tem que matar a peça o mais rápido possível mesmo.
Caio Teixeira é redator, escritor e também já atuou como diretor de criação em várias agências em 30 anos de carreira, atendendo a todo tipo de job, desde anúncio de cachorro perdido até grandes campanhas, algumas adaptadas para toda a América Latina. Hoje, fez este texto mais curto que os outros, não para matar rápido, mas porque o assunto é tão conclusivo, que não precisa de muito texto pra convencer. http://teixeiracaio.sites.uol.com.br
PRA SABER MINHA IDADE, SÓ COM TESTE DE CARBONO C-14.
Olha, se alguma felizarda agência quiser os préstimos de um profissional de criação e redator com muita, mas MUUUUITA experiência mesmo, tá aqui um. Nem me lembro mais quando nasci. Com certeza, há bem mais tempo do que os 10.000 anos do Raul Seixas, e o meu surgimento só pode ser datado com precisão pelo teste com Carbono C-14, pelo Departamento de Arqueologia da USP, que detecta as eras geológicas às quais os fósseis pertencem. Nasci no Período Pré-Cambriano, quando não tinha nem os dinossauros. Sou Pré- Mick Jagger e Keith Richards! Um fóssil vivo, como um Alligator da Flórida ou um Dragão de Komodo da Indonésia. E assim fui acompanhando a evolução da fauna e da flora do planeta, das espécies, do clima.
Rango, só frutas, raízes e uma perninha de javali de vez em quando. Me lembro que nessa época vieram uns diretores de arte esquisitos, meio barbudos, mas que faziam belíssimos layouts nas cavernas (as agências na época). Desenhavam com perfeição bisões, alces, gente dançando, e até fazendo sexo grupal!!!!! E cliente, se pegava com borduna!
Aí eu comecei a redigir uns textos, a princípio com a escrita cuneiforme dos sumérios, depois com os hieróglifos egípcios. Cara, como tinha job naquela época! A gente trabalhava como um camelo, sempre entrava areia no negócio, mas tinha lá suas compensações: os salários, por exemplo, eram faraônicos, pra compensar a falta de talento de um monte de múmias paralíticas que estavam na profissão por contingência, apenas. Poderiam ser o que hoje equivaleria a donos de pet shops, postos de gasolina, fábrica de edulcorantes para doces ou loja de equipamentos de proteção industrial.
Mais pra frente, pra compreender melhor o mundo, estudei Filosofia com um tal de Sócrates, que, tadinho, acabou se suicidando tomando sicuta. E aprendi muito também com outro tiozinho, como era mesmo o nome dele? Ari... Aristóteles! Isso!
E assim, escrevi um monte de coisas bonitas, aprendi a dialética, os sofismas, a lógica, a ontologia e outros nomes difíceis que só os filósofos entendem. Duvidam? Tem um texto de Kant, cujo título é, pasmem: "PROLEGÔMENOS ANTE QUALQUER TENTATIVA DE DIALÉTICA FUTURA! Depois, fui escrevendo cartas para reis. Enchia o saco escrever tanta carta pra reis, aquela coisa toda de botar selinho com cera quente, que queimava as mãos, sempre! E na Idade Média, não tinha jeito: se o neguinho era redator e queria trampar em agência, só poderia ser na Casa do Vaticano. E quem aprovava tudo era o Papa. Não adiantava se queixar pro bispo. Mandar o dono da agência pro inferno, nem pensar! Era Inquisição na certa, inclusive com torturas hediondas como ouvir Pagode, Axé Music, Funk de Morro ou Dancinha do Quadrado no último volume. Mas o pior era mesmo ter que mudar alguns trechos da Bíblia e outros escritos, por exigência dos clientes, fora a Censura, que era pior do que nos tempos da Ditadura Militar. Galileu que o diga. E se fosse mulher e fizesse algum chá que fosse um pouquinho fora dos padrões da época, já era. Todo mundo chamava de Bruxa e o destino era morrer queimada na fogueira, como a coitada da Joanna D'Arc.
Ser redator na Idade Média era como você ter um cliente que manipulasse completamente teu texto e tua criação, desvirtuando-os do caminho original. Mas aí vieram o Humanismo, as luzes. E com eles, o descobrimento de novas formas de pensar, novos desafios. Eu fui seduzido nesta época, pelo bom português, para acompanhar as Caravelas até um lugar chamado Brasil. E não tinha opção. Se quisesse trampo, ou era Brasil, ou tinha que ir pra África, enfrentar o Nizan Guanaes.
Claro que escolhi o Brasil.
Cara, não era um voozinho de 6, 7 horas, não. Eram meses e meses! Aquelas caravelas no mar, enjôo direto, neguinho bêbado cantando insuportáveis e melosos fados, quase não havia mulher, e as poucas que tinham eram com bigode!!!! O povo não tomava banho, uma loucura! Mesmo assim, escrevi um texto bem legal, uma carta, que depois o meu diretor de criação assumiu como autoria dele (um tal de Pero Vaz de Caminha). Lá na agência do Brasil, era tudo diferente. Tinha umas índias bonitinhas, bem bronzeadinhas, praias maravilhosas. Todo mundo queria Leão, apesar de só ter onça. E em fevereiro, não se pensava em outra coisa senão o Carnaval, que foi criado para alegrar a galera, fazer o povo esquecer a opressão da Coroa Portuguesa e gerar emprego para redatores como eu criarem os temas, e pros diretores de arte, fazerem os adereços, as fantasias etc. Hoje, muito tempo se passou. Vi a mudança da prancheta, do rough a lápis, do scratch-board, das manchas de layout com guache Winsor & Newton e pincéis de pelo de marta, para a radical transformação com os computadores, as workstations, o universo virtual. Muita coisa mudou. Mas um detalhe continua o mesmo, em meu íntimo: o entusiasmo pela profissão. E confesso que, apesar de me considerar com muito orgulho uma espécie de Matusalém da Propaganda, ainda estou tão antenado quanto os mais jovens das tribos de vanguarda por aí. A única coisa que atesta minha hiperlongevidade é quando eu comento alguns seriados com a moçada "Pós-Lost" nas agências. Eles me olham com expressão atônita, quando comento sobre Ivanhoé - o Cavaleiro Destemido, Flash Gordon, Bat Masterson, Túnel do Tempo, Perdidos no Espaço, Viagem ao Fundo do Mar, National Kid contra os Incas Venusianos, Vigilante Rodoviário, Rin-Tim-Tim, Autorama, Forte Apache.
É... acho que não tenho idade. Tenho eras vividas. E qualquer oitentona pra mim é gatinha.
Caio Teixeira é redator, escritor e também já atuou como diretor de criação em várias agências em 30 anos de carreira, atendendo a todo tipo de job, desde anúncio de cachorro perdido até grandes campanhas, algumas adaptadas para toda a América Latina. Hoje, procura unir esta experiência com a ousadia do novo, e ainda se sente como se tivesse 15 anos, fugindo de bingos, víspora, bocha, quermesses e praças públicas como o diabo foge da cruz. http://teixeiracaio.sites.uol.com.br
quinta-feira, 16 de julho de 2009
A SOCIEDADE IMAGÉTICA E A INFORMAÇÃO INSTANTÂNEA.
Uma imagem vale mais do que mil palavras. Pode ser desalentador para redatores como eu, que sempre tiveram os títulos em destaque e laudas de texto que pareciam livros, de tão extensos, estampados em layouts onde as imagens (ilustrações ou fotos) eram meros coadjuvantes. Mas os diretores de arte se vingaram, e a comunicação mudou. Ela hoje privilegia a imagem sobre o texto, e isto quando tem texto! Até meu portifolio se rendeu a esta dança, e tem um anúncio pro Green Peace que segue esta tendência: imagem de um peixe do Pantanal, com uma máscara antipoluição e assinatura. Só. E diz tudo.
Esta tendência não surgiu do nada. É fruto de nossa sociedade imagética, que gera um verdadeiro congestionamento de ícones e mensagens bombardeando as pessoas diariamente. Parece a Avenida 23 de Maio em São Paulo na hora do rush. Esta superexposição de imagens está presente em tudo: na TV, celular, computador, outdoor, adesivações em lugares inimagináveis, ações de guerrilha com um grupo de teatro em intervenção urbana, malas diretas com o nome da própria pessoa, enfim, este fantástico e sedutor universo multimídia faz com que as mensagens sejam cada vez mais instantâneas, e neste exercício de síntese, elas devem ser resumidas ao máximo. Isto por um lado é bom, porque nos dá uma visão panorâmica e geral do mundo, do ponto de vista de diferentes culturas que a globalização e a internet (e hoje o Twitter, Facebook e demais redes de relacionamento), aproximou. E mais do que aproximar, promoveu a interatividade, superando o velho conceito de McLuhan, de emissor-receptor, para ação – interatividade – reação. As mensagens publicitárias são cada vez mais adaptadas a esta linguagem. Quando tem um título, é curto, e diz tudo, sem a necessidade de um texto complementar. E nos vídeos, a síntese também é a tônica. Muitas imagens, cortes rápidos, histórias óbvias. A dinâmica dos vídeos e filmes segue o mesmo estilo de Hollywood, com cenários incríveis, muitos cortes e histórias fáceis, em contraposição a uma estética mais de cinema europeu, reflexivo, denso.
Isto gera um questionamento essencial: até que ponto esta instantaneidade da informação não suprime um aprofundamento maior do conteúdo?
E até que ponto a informação não vem pré-digerida demais, sem abrir espaço a um questionamento maior do que é percebido?
Os noticiários de TV passam tudo o que aconteceu, de forma enlatada. “o mundo é assim, fulano é o bonzinho, sicrano o mauzinho e a tendência é x.”
Tudo pronto. A pessoa não precisa nem pensar. Pesquisa escolar ou de trabalho? No buscador da internet, em segundos vem o que a pessoa procura, e aí é só mover os dedinhos nas teclas “Control C” e “Control V”. Fácil. Mas esta dinâmica vertiginosa das comunicações não pode descuidar da essência, que é a informação como conhecimento. É preciso promover um equilíbrio entre informação e entretenimento, e isto serve tanto para os veículos de comunicação quanto para as agências, com suas campanhas. Não abdicar nunca do debate, da informação, da curiosidade, do bom roteiro e da boa ideia (agora sem acento, mais essa!!!) que supera qualquer efeito especial, qualquer 3D, qualquer verniz de reserva, que, como toda droga, vicia, ilude, mas não resolve nenhum problema e ainda faz mal. Chegou a hora de nos desintoxicarmos desta síntese que tem até uma boa embalagem, mas é vazia por dentro. Porque senão, o homem vai deixar de falar para se comunicar por mímica (o primeiro passo desta involução é a linguagem telegráfica do MSN). E daí, vai deixar de ser comunicação e ficar mais próximo do “uga-uga” do Tempo das Cavernas.
Ler não dói. Não passa doença contagiosa.
E cultura não é só o próximo passinho que vão inventar no Carnaval.
Caio Teixeira é redator, escritor e também já atuou como diretor de criação em várias agências em 30 anos de carreira, atendendo a todo tipo de job, desde anúncio de cachorro perdido até grandes campanhas, algumas adaptadas para toda a América Latina. E ainda lê livros!!!.http://teixeiracaio.sites.uol.com.br
quarta-feira, 15 de julho de 2009
CAMINHAR NO ESCURO SEM LANTERNA É ATIRAR ÀS CEGAS.
O comercial "Peixe-Cachorro", da ALMAP, ganhou merecidamente Leão de Ouro em Cannes por 3 virtudes essenciais, mas atípicas, principalmente no cenário brasileiro: uma idéia irreverente (peixe-cachorro, que viagem!!!) que aqui em casa agradou a mim, à minha esposa, que não é publicitária, meu enteado skatista de 19 anos e minha filha de 8. Isto é, foi unânime em Voto Popular. Também, foi bem produzido. Já imaginou o peixe-cachorro feito em papelão recortado, no estilo pastelão? Por uma produtora "tabajarésima," que faz grua com contrapeso de tijolo ou travelling com cano de PVC e iluminação tipo "Pau de Fogo" de filmagem de casamento (isto existe e eu também, creiam, já fui vítima!!!!). É, seria o fim... Mas o comercial foi magnificamente bem produzido, e quando você acha que a viagem de ácido vai continuar, ledo engano: o roteirista e criador volta à Terra e, num singelo encerramento, olha meio perdido pro horizonte, mas com uma cartesiana sobriedade, digna do mais frio e calculista engenheiro da Volkswagen, fruto da corrente filosófica do Racionalismo Alemão, e arremata:
" - Puxa, a gente imagina cada coisa...".
Traduzindo: pode soltar a imaginação que o Space Fox acompanha você em suas viagens. Que "branding" magnífico! Mas chegou-se a isso muito pela estratégia, associada à criatividade de ponta, mérito da equipe criativa de Macelo Serpa (uma das raras unanimidades da criação brasileira, que é repleta de troféus, mas também de vaidades). A estratégia, é tudo, ainda mais nos tempos atuais de comunicação integrada, em que os múltiplos meios e a segmentação absoluta, traduzida até por inovações como o DVP - Dados Variáveis Personalizados, em marketing direto, faz com que a estratégia de combinar-se os meios para, em uma ação integrada, chegar-se aos fins, é realmente a quintessência do ideal de qualquer um de nós, que ama esta tão ingrata profissão, que seduz, mas ao mesmo tempo, machuca a gente (mas isto é um capítulo e um texto à parte). Hoje, o grande diferencial para a maior parte das agências pequenas e médias que compõem nosso cenário já desgastado da propaganda verde-amarela, reside na ESTRATÉGIA. O desafio é pensar o negócio do cliente do ponto de vista do marketing, para, a partir desta consultoria, que engloba também a pesquisa, traçar-se as estratégias adequadas, que envolvem sempre as seguintes variáveis do "mix" de comunicação integrada:
1 - A percepção do "branding", ou seja, da identidade, do perfil, da personalidade da marca, que por sua vez, está profundamente enraizada e identificada com os valores do público a que se pretende alcançar. Este "branding" permeia todas as ações de comunicação;
2 - Endomarketing. Este "branding" tem que ser primeiramente percebido, assimilado e, mais do que isso, fazer parte da crença e valores culturais dos funcionários da empresa, colaboradores e equipes de vendas;
3 - Business-to-business. Se as vendas do cliente dependem de equipes externas, estas devem tambérm assimilar os mesmos valores e cultura do "branding" da empresa e ser incentivadas por intermédio de um programa de premiação por superação de metas;
4 - PDV é tudo. São os 5 segundos em que o consumidor olha pro display, pro quiosque, pra ação de guerrilha, e decide-se por SUA marca, em detrimento de dezenas de outras que também anunciam, disputam avidamente cada consumidor, e seduzem com promoções, embalagens atrativas, tudo! Portanto, concentre todos os esforços possíveis no PDV, preferentemente com uma promoção inteligente, pra ativar a demanda de curto prazo e, por que não, consolidar a marca junto ao consumidor final.
5 - CONSUMIDOR FINAL. Da comunicação de massa até a segmentação absoluta por usuários de determinado produto ou serviço de interesse (CRM), o apelo publicitário é fundamental. Ele cria elos, paixões. Imagine um senhor com cabelos bem branquinhos, barriga de cerveja, calejada pelo balcão do boteco típico deste bairro bem singelo, 65 anos, torcedor do Corinthians, aposentado, mora na Moóca e compra no Wall Mart. Pois a propaganda, ou comunicação integrada, chega até ele. no nome dele, com coisas que ele gosta e fazem parte de sua intimidade. A propaganda chegou até aqui. E a qualquer público final que se imaginar. Assim você conquista. E se esta conquista levar junto um eficaz programa de marketing de relacionamento e fidelização, então este namorro vai ser para sempre. Um sonho que os teóricos de marketing sempre tiveram, desde Kotler ao mais ousado pensador multimidia debatendo no Twitter.
Sem esta orientação pela estratégia, a comunicação acaba como a analogia do escuro sem lanterna. Numa estrada à noite sem farol. Ou aquela coisa de se atirar a esmo, como o tiro ao prato, em que se lança o alvo e a pessoa dispara aleatoriamente, e se acertar, tudo bem.
É aquela antiga visão da propaganda como job, o cliente telefonando para a agência para pedir coisas do tipo
" - faz um e-mail marketing pra mim, vai, cria com este título, mais ou menos assim... "
Parem o mundo que eu quero descer! Isto definitivamente não funciona! E subestima o papel da agência como geradora de ideias Tudo depende de uma estratégia maior, a partir da qual chega-se ao caminho mercadológico correto e só então, chega-se às ações de comunicação que vão atender plenamente a este objetivo e maximizar o negócio do cliente. É um retorno à profética frase de David Ogilvy, quando este falou para a Eternidade que "a boa propaganda é aquela que faz tilintar a máquina registradora do cliente." Disse tudo.
Caio Teixeira é redator, escritor e também já atuou como diretor de criação em várias agências em 30 anos de carreira, atendendo a todo tipo de job, desde anúncio de cachorro perdido até grandes campanhas, algumas adaptadas para toda a América Latina. Até hoje, tenta convencer os clientes em relação a todas estas verdades, mas em vão. http://teixeiracaio.sites.uol.com.br
segunda-feira, 13 de julho de 2009
DA PROPAGANDA DA PEDRA LASCADA À COMUNICAÇÃO HIPERINTEGRADA.
Não se sabe direito se foi um risco, uma inscrição rupestre, um grito, um gesto, mas o homem sempre procurou se comunicar na história. Evoluiu em tudo, darwinianamente.Tá certo que nesta evolução deixou rastros de atrocidades e até utilizou esta comunicação para exaltar seu império com bandeiras, flâmulas, brasões, e aí nasceu o designer de marcas, o diretor de arte.
O cliente, na época, já era rei! Ou pelo menos, príncipe. Mas o redator veio antes. Ele escreveu um tal de "10 Mandamentos", que na verdade eram 11, mas o cliente, na época, que se achava um Deus (hoje em dia não mudou muito, não), resolveu dar seus "pitacos" e mandou tirar 1 mandamento. Fora que nos outros, alterou palavras fundamentais, trocou o sentido, um terror! E aí, a coisa foi evoluindo. Surgiu o Gutemberg e a primeira gráfica. E com o descobrimento de que, através da destilação da cana obtinha-se a cachaça, surgiram os produtores gráficos. Umas figuras raras! E para isso virar agência, só faltava aquele cara que tivesse acesso fácil aos poderosos da época pra falar: "20% é meu e o restante a gente racha em 3, beleza? Há! E tem os custos de planejamento, criação, produção e finalização. E, Gutemberg, 15% da parada também é minha!" Aí, ele casou com uma loira famosa que se notabilizou por ter namorado um ídolo do automobilismo, e pronto! Voilá! Surgiu o contato, que por sua vez se aliou a uma sedutora corrupção que já campeava este país-continente desde que os donatários das Capitanias Hereditárias, nos primórdios da colonização brasileira, já subornavam os fiscais da Coroa Portuguesa pra driblar os altos impostos da época (e por isso a voracidade fiscal até hoje em nossa Economia). Mas, retomando o tema inicial, a evolução conduziu às agências, que eram, a princípio, modelos clássicos "Ogilvinianos" (a Escola de David Ogilvy) e "Hopkinianos", em alusão a Claude Hopkins, autor do famoso livro "A Ciência da Propaganda", que foram os fundadores da Escola Americana, referência da propaganda nacional.
Ou seja: uma baita idéia, peças fantásticas (TV, rádio, outdoor, anúncios em revistas e jornais) e promoção, que era feita por um "estúdio" especializado, com umas coisas tipo Leve 3 Pague 2 e splashes que pareciam Carnaval. Ai, surgiu a Comunicação Integrada, co-irmã da evolução tecnológica dos novos meios, como a internet, o celular, as redes de relacionamento, como Orkut, MSN e Facebook, até culminar no Twitter como o expoente máximo e o novo "layer" de expressão da interatividade e conectividade em tempo real e antecipando e debatendo a informação antes que ela seja "pasteurizada" pela conveniência ideológica da mídia e dos grandes grupos financeiros que dão suporte a ela. Mas a propaganda mudou. Evoluiu para esta comunicação multimeios, em que as agências têm que pensar desde uma ação de guerrilha, um viral, uma adesivação maluca, uma intervenção fora-do-comum, um hotsite, uma ação crossmedia, um Querry Code, SMS, enfim, os universos são múltiplos e tornam-se verdadeiros desafios à nossa imaginação em pensar o novo. Como deve ser a mensagem publicitária, em forrma, conteúdo e atratibilidade, nestes novos meios?Algo além de título, texto, foto bonita? E mais: como estes novos meios podem ser mais do que veículos de mensagens publicitárias, e estas próprias mensagens levem em seu bojo, embutidas solidamente, uma nova consciência humana?
Pensem. Mas pensem com amor à profissão e à inteligência das futuras gerações deste planeta tão bonito e acolhedor, que merece muito mais conteúdo do que um simples programa de auditório de domingo. E tenho dito.
Caio Teixeira é redator, escritor e também já atuou como diretor de criação em várias agências em 30 anos de carreira, atendendo a todo tipo de job, desde anúncio de cachorro perdido até grandes campanhas, algumas adaptadas para toda a América Latina. Inclusive nestes novos meios.http://teixeiracaio.sites.uol.com.br
segunda-feira, 6 de julho de 2009
OS TERRÍVEIS "MONSTROS" REVISORES.
Eles destróem. Trucidam. Vilipendiam. Torturam até sobrar apenas vestígios agonizantes de algo que um dia foi um texto publicitário, escrito com alma, estilo e um raciocínio, uma lógica de condução, uma sonoridade.
Pode parecer uma abstração muito grande, mas na verdade, existe uma crítica embutida na questão, que é a relação entre a revisão e a criação da agência (no caso, os redatores e diretores de criação x os "Terríveis Revisores").
Revisão é sintática, gente! Mas quando levada a ferro e fogo, invade a semântica, o universo sagrado da significação, que é imaculado, único.
Alguém se atreveria a mudar o final de "Adeus às Armas", obra-prima de Ernst Hemingway, que ele mesmo confessou ter reescrito 30 vezes, até ficar plenamente convencido? Ou mudado o início de "Forrest Gump"?
Mas nas agências, a supremacia dos revisores sobre os redatores é cruel.
Destrói o duplo sentido, a analogia, a jogada de texto, a liberdade de estilo, a expressão mais popular, enfim, nada disso pode. Parece uma Era Vitoriana, uma ditadura nas letras que Chico Buarque driblava, como o craque que é nas palavras, uma Inquisição. A Era das Trevas trouxe a pior das violências, aquela que é silenciosa, que mata a inteligência, mata a peça que poderia
ser o máximo, mas ficou apenas e sofrivelmente "legalzinha".
Matando a propaganda. E pior: matando quem fez o texto.
Alguém tem que revisar isso!!!!!!!!
Caio Teixeira é redator, escritor e também já atuou como diretor de criação em várias agências em 30 anos de carreira, atendendo a todo tipo de job, desde anúncio de cachorro perdido até grandes campanhas, algumas adaptadas para toda a América Latina. Até hoje, tenta fugir dos revisores, mas em vão.http://teixeiracaio.sites.uol.com.br
sexta-feira, 3 de julho de 2009
QUANDO UMA CAMPANHA CRIATIVA PARECE TER LEPRA.
Já notaram a expressão de espanto, asco, nojo até, quando o atendimento vê uma campanha criativa e ousada? Este fato é mais corriqueiro do que vocês pensam, no universo das agências. Mas para chegar a esta cena, são necessários intermináveis minutos de pseudo-reflexão, as mãos no queixo, a famosa “cara de conteúdo”,
testa franzida, olhar arregalado, como que a perscrutar, imergir profundamente
no que está sendo analisado.
Depois que o cérebro atrofiado processa lentamente a informação visual e tenta entrar
na rede de sinapses dos neurônios, aí a coisa complica mais. Surge finalmente a citada expressão de espanto, repulsa, nojo, asco, como se os layouts estivessem contaminados com lepra. Daí, vem a expressão negativa de recusa da campanha, porque, segundo
a profunda análise, mesclada com o medo do novo e a dificuldade de explicar um conceito fora do convencional, a campanha transgride os padrões ético-morais da sociedade,
da “cultura” do cliente e uma série de “blá-blá-blás” que tentam justificar o injustificável: NÃO ENTENDEU A CAMPANHA.
Por isso, quando cada um de nós se deparar com uma campanha convencional, antes de condenar a equipe de criação, tente imaginar que eles tiveram boa vontade, mas passaram pelo Tribunal de Inquisição, o terrível comitê do planejamento e atendimento das agências. Um julgamento onde você é condenado sem direito a defesa.
E depois, é fácil chegar à conclusão da ausência de criatividade na maioria
das peças de comunicação, do Oiapoque ao Chuí.
Criatividade não é doença. É cura.
Caio Teixeira é redator, escritor e também já atuou como diretor de criação em várias agências em 30 anos de carreira, atendendo a todo tipo de job, desde anúncio de cachorro perdido até grandes campanhas, algumas adaptadas para toda a América Latina.http://teixeiracaio.sites.uol.com.br
quinta-feira, 2 de julho de 2009
CRIATIVIDADE, PELO AMOR DE DEUS
O título é garrafal, de tão urgente que é a questão. Mas para chegar até ela, é preciso saber como era a propaganda antigamente, como se desvirtuou e caiu na fácil tentação tecnológico-marqueteira, que até impressiona em um primeiro momento, pelos efeitos especiais de computação gráfica ou photoshop, mas nos faz indagar: “– Cadê o criativo?”
Nem sempre foi assim. Vamos retornar à década de 80, nos tempos áureos da propaganda, quando a criatividade e o talento, eram respeitados. É como se fosse ontem em minha memória. Aquela vontade, transformada em um impulso irresistível de criar, desenvolver campanhas, temas originais, inteligentes, misto de técnica e arte. Que é mais do que profissão. É uma cachaça.
Tempos de criativos com olhos e mentes brilhantes, ávidos em buscar o novo, algo surpreendente, que revolucionasse o mercado e ao mesmo tempo, fizesse com que a propaganda, ou comunicação integrada (para utilizar um termo mais contemporâneo), cumprisse efetivamente seu papel de comunicação social, agregando cultura e bom humor às pessoas. Algo como um Juramento de Hipócrates tupiniquim.
Ah! Como eram bons aqueles tempos, que não eram medidos por segundos, dias, meses ou anos, mas sim, por fatos, acontecimentos históricos e passagens folclóricas, hilárias e antológicas.
Mas como tudo o que é bom, passa, vieram os “novos tempos” da tentação tecnológico/marqueteira, que passou a colocar como diferencial e prioriodade, não a criatividade, a inteligência e talentos das pessoas, mas sim, a tecnologia, os computadores de última geração, softwares e ferramentas de comunicação de vanguarda, como SMS, Querry Code, Realidade Expandida, Crossmedia, e todo um complexo universo simbólico de internet como SQL, XPTO, enfim, complexas siglas que impressionam clientes, mas representam TECNOLOGIA e não IDÉIAS.
A idéia, a CRIATIVIDADE, que é o pressuposto básico da comunicação, foi preterida pela tecnologia, que deveria ser uma ferramenta da criatividade, mas nos tornamos escravos dela, assim como no profético filme “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, em que os robôs se voltam contra o homem.
Para o redator, resta fazer um copy-desk do briefing e de complexas equações mercadológicas e gráficos infindáveis. O diretor de arte, condenado a 1 dia de prazo pra fazer uma campanha com 15 peças e engessado por um banco de imagens que restringe a imaginação e o novo a praticamente zero.
Isto, fora a ladainha de todo dia:
“ – Não precisa viajar muito no título, não. Seja objetivo e direto.”
“ – Não faz um texto longo, não, porque ninguém lê!”
“ – Aquele espacinho em branco no anúncio, pode colocar mais texto técnico”
“ – Huuuummmm... tá legal, mas faz uma opção mais convencional pra eu levar na manga (e a campanha criativa é a que acaba na manga, e depois, na gaveta)
“ – Olha, o cliente adorou a campanha que fizemos. Achou super criativa, ousada, boa mesmo. Mas agora que passamos no teste criativo e ganhamos a conta, vamos colocar o pé no chão e fazer uma campanha mais convencional, porque o cliente tem certeza que dá certo.”
Criatividade, pelo amor de Deus!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Caio Teixeira é redator, escritor e também já atuou como diretor de criação em várias agências em 30 anos de carreira, atendendo a todo tipo de job, desde anúncio de cachorro perdido até grandes campanhas, algumas adaptadas para toda a América Latina. http://teixeiracaio.sites.uol.com.br
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Sete Leões em Press para o Brasil

O Brasil conquistou seis (na verdade foram sete) Leões na competição de Press do Festival de Cannes 2009. Desses prêmios, três são de Ouro e outros três de Bronze.
A DM9DDB vai levar para casa dois Leões de Ouro, um com trabalho para Latin Stock que chegou a disputar Gran Prix (confira aqui). Outro Ouro da DM9 foi para Terra Travel - campanha Toda Rotina Pede Férias - peças Beach Snow e City Country. A agência também levou um Leão de Bronze, por campanha criada para Fedex (aqui).
A AlmapBBDO conquistou um Leão de Ouro com a campanha, para a Panamericana Escola de Arte e Design, "Até onde vai sua criatividade" (aqui). Ganhou também um Bronze com "Birds", para Greenpeace (apenas uma peça).
A Talent é a ganhadora do outro Leão de Bronze, com trabalho para Sony Ericsson (aqui).
O resultado de Press será divulgado pela organização do Festival apenas na quarta-feira, 24.
Nota da Redação: na verdade são sete Leões. Leia aqui.
Brahma exalta Seleção Brasileira

CANNES LION 2009


Leandro Câmara, diretor de arte da Z+, no Brasil, integra ficha técnica de trabalho realizado para o cliente CNN pela DDB de Istambul, em parceria com o redator e diretor de criação Karpat Polat, que já trabalhou na DM9DDB.
A campanha conquistou um Leão de Prata em Press.
"Estou muito feliz e gostaria de compartilhar isso com o mercado.
Afinal, é mais um Leão que tem gostinho brasileiro", comemora Leandro
Bunge Fertilizantes em criação da GNova
A GNova criou para Bunge Fertilizantes novas campanhas para as marcas Manah e Serrana.
“O objetivo é mostrar ao produtor rural que a empresa vende e entrega mais do que fertilizantes. Não entregamos apenas a comoditty, o produto físico, mas sim um pacote mais amplo e diferenciado”, defende Francisco Pereira, Gerente de Divisão de Marketing, da Bunge Fertilizantes.
A estratégia inclui filmes para TV (assista aqui e aqui), comunicação direta, PDV, peças online e o desenvolvimento de sites para cada uma das marcas.
No novo endereço eletrônico produzido para a Manah, o foco principal são os webvídeos com depoimentos reais dos produtores rurais. Outra solução proposta pela TV1.Com será um “Fórum Sobre Produtividade”, com a participação dos próprios clientes da marca, cujo objetivo é reforçar a qualidade e os benefícios da Manah.
Já no site para a Serrana, são oferecidos diversos serviços ao produtor, como “Agricultura de Precisão”, “Assessoria Agronômica” e “Troca de Grãos”.
Além dos filmes e site, a comunicação para Manah e Serrana inclui peças para mídia impressa, rádio e mídia online.
Ficha Técnica:
Cliente: Bunge Fertilizantes
Agência: GNova Publicidade
Produtos: Manah e Serrana
Criação: Amaury “Balí” Terçarolli / Carlos Castelo / Lisiane Kindlein / Armando Araújo / Ismar Soares / Jan Pfiffer / Gabriel D’Orazio
Direção de Criação: Amaury “Balí” Terçarolli / Carlos Castelo
Atendimento: Louise Beltrão / Cristina Alves / Cassio Motta Mello
Aprovação: Francisco Pereira / Caetano Haberli / Vanessa Fernandes / Gabriel Saul
Produção Filme: O2 Filmes
Direção: Renato Rossi
Atendimento Produtora: Rejane Bicca / Diane Maia
Produção Som: Dr DD
Fotógrafo: Mario Dalóia
Ficha Técnica TV1.Com:
Anunciante: Bunge
Produto: Manah
Agência: TV1.Com
Direção de Criação e Planejamento: Gustavo Donda
Gerente de Contas: Renata Carvalho Vieira
Gerente de Projeto: Rodrigo Volponi
Direto de Planejamento: Maurício Moreira
Planejamento: Mário Reys
Direção de Arte: Carlos Junior e Adriano Piccirilo
Arquitetura de Informação: Juliana Uemura e Daniela Varuzzi Bastilha
Arte: Mário Kodato e Italo Santos de Oliveira
Conteúdo: Vitor Bara e Paloma Godoy Cotes
Tecnologia: Beto Yunes
Programação/Interface: Fábio Eduardo Alfieri, Emerson Pereira da Silva e Gustavo de Paula Santos
Programação/Desenvolvimento: Rodrigo Fernandes Garcia, Guilherme Siqueira Rodrigues e Wallace Oliveira Santos Junior.
Infraestrutura: Rafael José Machado da Costa e Sabrina Monteiro Martins
Controle de Qualidade: Claudia Kairalla
Aprovação cliente: Francisco Pereira, Caetano Haberli, Viviane Stridelli e Manuela Silva
